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A ESTRUTURA METÁLICA EM ESTUFAS E VIVEIROS

Estufas são ambientes cujos objetivos são acumular e conter o calor para manter uma temperatura controlada e estável no seu interior. E, com isso, é possível praticar o cultivo protegido, o que oferece ao produtor uma possibilidade maior de se adequar às variações climáticas, resultando em um melhor controle de sua plantação, independente das intempéries.

Não há um registro que comprove, mas um dos primeiros exemplos desse tipo de construção foi a chamada Palm House, localizada no Jardim Botânico Real de Kew, em Londres [Inglaterra]. O projeto foi realizado pelo então arquiteto Decimus Burton, aproximadamente entre 1840 e 1850, do qual a proposta era e, ainda se mantém, para o cultivo especializado de palmeiras, plantas tropicais e subtropicais, sendo que, muitas dessas espécies estão ameaçadas de extinção ou extintas na natureza.

Imagem: internet / fotógrafo desconhecido

A obra foi executada basicamente utilizando a mistura do aço com o vidro, que há alguns anos tem se tornado aquele “pretinho básico” no mundo da arquitetura, uma combinação sem erros e que consegue se adequar aos mais diversos estilos. Apesar desses materiais serem popularmente usados na atualidade, podemos dizer que a construção da Palm House, assim como muitas outras estufas da época vitoriana ajudaram a demonstrar a versatilidade e as possibilidades das estruturas metálicas.

Imagem: CNN
Imagem: Jackie Tahara

O cultivo protegido vai muito além do estético, quando contextualizamos para a realidade brasileira, por exemplo, estamos falando de plantações para consumo humano, onde nem sempre essas construções são feitas de aço/alumínio e vidro, considerando o seu propósito e visando um comércio lucrativo. Além disso, não é muito cultural da nossa história a confecção de estufas, mas nada impede de buscarmos inspirações pelo mundo e, quem sabe, projetar esses espaços incríveis e de grande importância ecológica.

E vamos de exemplos?!

Casa Estufa

O escritório RicharDavidArchitekti teve o desafio de construir uma residência que também funcionasse como viveiro para as planta exóticas dos clientes. A obra foi entregue em 2018 na cidade Hořice, República Checa.

Imagem: RicharDavidArchitekti
Imagem: RicharDavidArchitekti

Descrição do escritório, segundo o ArchDaily: “Neste projeto procuramos desconstruir a típica hierarquia espacial de uma casa. O edifício não conta com um acesso principal seguido de um hall de entrada. Seus espaços são abertos e fluídos de modo que podemos entrar e sair da casa seja pela sala ou pelo quarto. Para chegarmos até a estufa na cobertura há um acesso exterior independente. Ao redor de todo o perímetro da residência, a cobertura translúcida da estufa acaba por criar um um amplo espaço avarandado coberto e aberto. Todos os cômodos podem ser acessados à partir do exterior de forma independente através de amplas portas de correr de vidro.

Imagem: RicharDavidArchitekti
Imagem: RicharDavidArchitekti
Greenhouse as a home

Mais do que um ambiente para o cultivo de plantas, esse pavilhão funciona como um centro cultural ecológico, proporcionando uma experiência única aos seus visitantes. O projeto de 336 m² foi elaborado pelo escritório BIAS Architects, em 2018. E está localizado na cidade de Xinwu, em Taiwan.

Imagem: Rockburger, James Teng
Imagem: Rockburger, James Teng

Descrição do escritório, segundo o ArchDaily: “O percurso do pavilhão Greenhouse as a home começa na primeira zona, que é úmida, sombria e fresca e é habitado por samambaias penduradas em uma estrutura de grade de aço, criando paredes ambíguas e ambientes que remetem às florestas. A segunda zona ainda é úmida, mas também ventilada e é onde acontece a maior parte das atividades. Neste espaço é onde uma grande mesa permite refeições coletivas. A terceira zona é climaticamente estabilizada e ocupada por uma fazenda vertical de hidropônicas, junto da cozinha. Aqui os vegetais frescos são colhidos todos os dias e então cozidos e dados aos visitantes. A quarta zona é mais quente e seca, e é usada para dessecar vegetais, assim como em casas com pátios tradicionais, ao mesmo tempo que permite que os visitantes tomem banho de sol. A quinta e última zona é quente, úmida e escura. É onde ficam as fazendas de fungos, junto com um teatro sensorial, onde os visitantes podem desfrutar e performances de som e luz. 

Imagem: Rockburger, James Teng
Imagem: Rockburger, James Teng
Destilaria Bombay Sapphire

Localizado no Reino Unido, em 2014 o escritório Heatherwick Studio desenvolveu um projeto ousado e futurista para a fabricante de gin Bombay Sapphire.

Imagem: Iwan Baan

Descrição do escritório, segundo o ArchDaily: “O plano diretor do Heatherwick Studio propôs a criação de duas novas estufas para o crescimento de espécimes de 10 plantas exóticas utilizadas no processo de destilação da Bombay Sapphire. Estas estufas, uma delas contendo um ambiente tropical úmido e outra o clima seco temperado do mediterrâneo, erguem-se a partir da casa com material de destilação ao norte até as águas do rio ampliado. A conexão com a destilaria permite que o calor desperdiçado no processo de destilação seja reaproveitado para manter o clima quente para as que as espécies de planta possam florescer. A geometria fluida destas novas estufas foi incfluenciada por recentes avanços na tecnologia de vidro e pela rica herança britânica de estruturas de estufas botânicas.

Imagem: Iwan Baan
Imagem: Iwan Baan
Estufa Refrigerada – Jardim da Baía

Os profissionais da Wilkinson Eyre Architects foram responsáveis por esse ambicioso projeto na cidade de Singapura, na Malásia, no ano de 2012. O complexo do Jardim da Baía possui diversos espaços e um dos mais impressionantes é a estufa refrigerada.

Imagem: Wilkinson Eyre Architects

Descrição do escritório, segundo o ArchDaily: “As estruturas curvilíneas das estufas foram concebidas tendo a sustentabilidade como um ponto de partida, com toda a consideração dada às técnicas de controle passivo de clima. Um sistema de sombreamento controlado por computador e tecnologias de refrigeração neutras em carbono foram integradas a estrutura do edifício de forma eficiente para manter o clima interno.

Imagem: Wilkinson Eyre Architects
Imagem: Wilkinson Eyre Architects
Palácio do Gin Hendrick’s e Destilaria

Localizado no Reino Unido, esse é um projeto de 2.521 m² desenvolvido pelo escritório Michael Laird Architects e entregue no ano de 2018.

Imagem: David Cadzow / Cadzow Pelosi, John Paul

Descrição do escritório, segundo o ArchDaily: “A estufa principal é formada por arcos em tijolo negro e um telhado de vidro curvo inspirado em estilo vitoriano, com elaborados detalhes em aço e está situado centralmente dentro do jardim murado. É ladeado por duas estufas de cada lado, que abrigam uma variedade de plantas exóticas. Uma das estufas contém a flora nativa de um ambiente mediterrâneo, como limões e laranjas, e a outra possui um ambiente tropical. Juntas, elas funcionam como um espaço de estudo onde o chefe Botânico e criador de Hendrick’s pode cultivar e experimentar novas expressões.

Imagem: David Cadzow / Cadzow Pelosi, John Paul
Imagem: David Cadzow / Cadzow Pelosi, John Paul

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